sexta-feira, abril 22, 2005

Stress - Parte I

Chavão criado no final do século passado, entretanto convertido a doença, é das maiores epidemias de que há memória e, no entanto parece passar ao lado de todos, pois é tomado como algo natural e inevitável como o respirar!

O que é mesmo o stress? Um misto de ansiedade, nervosismo, irritabilidade, …? Mas quando se fala destes sintomas a postura muda pelo que parece conveniente enveredar para o caminho dos eufemismos e chamar tudo isso de stress?

As causas são múltiplas mas têm duas grandes origens:

  • Interna (Quando queremos sempre mais quantidade, em melhores condições, no menor tempo);
  • Externa (Quando queremos que nós apresentemos mais quantidade, em melhores condições, no menor tempo);

Pois é, o fundamento parece ser o mesmo, mas quando há capacidade de delegação o stress diminui… Quando se está na base da pirâmide é preciso uma grande capacidade auto-motivação e controlo de emoções para contornar a situação e ir superando os desafios e ir subindo numa escala invisível para que se possa delegar stress para outros...

terça-feira, abril 12, 2005

Posso ficar-lhe a dever um cêntimo?

Quantas vezes já nos fizeram esta pergunta? Pois.. algumas de facto, principalmente se ainda não se é completamente fanático pelos cartões de débito, ou mesmo, quando se prefere continuar a usar dinheiro real para pequenos pagamentos.
A resposta a esta pergunta, à boa moda portuguesa em que somos uns tipos descontraídos, simpáticos e que não perdem oportunidades para demonstrar o sua importância na sociedade - esta questão dos problemas de afirmação também precisará de ser detalhada -, responde-se até com algum desdém e retoques de "...ai nem me fale disso...", aliado a um esgar de sorriso paternalista, que sim, sim, pode ficar a dever-me um cêntimo.

Depois, voltamos costas e como que num passe de mágica, as feições transmorfam-se e murmura-se entre dentes que é sempre a mesma coisa, que ficam sempre a dever 1 cêntimo. Outros, ainda chegam a casa e vão fazer posts em blogs acerca disso. Enfim, os modos de expressão são variados e por norma são tanto mais agudizados, quanto mais susceptível se estiver no momento.

Queria apenas relembrar que estas situações advém de uma faca de dois gumes. Por um lado tem-se os famosos preços psicológicos que nos fazem crer que algo é 1, 10 ou mesmo 100 euros mais baratos porque o preço é x,9 ; x9,99 ou x99,99 respectivamente, para que automaticamente se processe de forma errada uma "significativa" redução do preço, sendo por vezes esse o click que faltava para se passar a referida peça para o carrinho. Por outro lado, quando se chega à caixa, a probabilidade da conta terminar em 9 é elevada - sim, eu sei que se comprar 5 destes produtos a conta acaba em 5 e não em 9, and so on... -, e por qualquer motivo ainda não perfeitamente identificado, alguém que não nós já levou as últimas moedas de 1 cêntimo e surge a referida questão.

Na prática, compramos por vezes o que não queremos devido a um preço psicológico e do outro lado existe um recebimento não facturado... Certo, isto são peanuts sem qualquer relevância, mas está-se a pactuar com este procedimento se não se alterar a reacção.
Avistam-se várias abordagens:
  1. "Sim! Importo-me!" e esperar pela reacção;
  2. "Sim! Importo-me! Dê-me 2 cêntimos de volta e fica você a dever-me 1 cêntimo?"
  3. Andarmos com umas quantas moedas de 1 cêntimo que temos lá em casa e usá-las para dar troco de 2 cêntimos. Isto se o ponto de cima não funcionar.
  4. Começar a pagar sistematicamente com meios de pagamento que não pressupõem troco!

quinta-feira, abril 07, 2005

9 da Manhã de Segunda e 7 da Tarde de Sexta

Estes dois momentos são dos mais marcantes para uma aparentemente crescente quantidade de pessoas na vida activa. São momentos cuja lembrança, e obviamente vivência, despertam sentimentos antagónicos. O primeiro é o início de uma semana de tortura, stress, chatices, aborrecimentos, infelicidade por vezes! O segundo marca o culminar de tudo aquilo, actuando como bálsamo, uma vez que abre uma porta para um corredor temporal que é maioritariamente considerado efémero, fugaz, curto. Tento perceber porque é que isto acontece, perdoem-me a eventual imaturidade ou a incapacidade de contemplar todas as perspectivas, mas esta aversão ao trabalho dever-se-à a:

  1. Insatisfação com as funções desenvolvidas;
  2. Insatisfação com o perfil e comportamento das chefias;
  3. Mau ambiente de trabalho;
  4. Estagnação na carreira;
  5. Carga de trabalho excessiva de forma constante;
  6. Injustiças por trabalho não reconhecido;
  7. Injustiças por supostos favorecimentos a pessoas especiais;
  8. Pressão para além dos limites indivudalmente suportados;
  9. Insatisfação com a recompensa financeira recebida;
  10. ...

Convenhamos: esta lista será mais ou menos interminável, uma vez que estamos a falar de sentimentos desenvolvidos e sentidos por seres humanos, que por definição são indefiníveis com exactidão, existindo sempre margem para a existência de mais algum item a incluir nesta lista.

No entanto, se muita gente continua a ter esta atitude - e pelas estatísticas de psicólogos e psiquiatras, esse número é crescente devido a questões profissionais -, algo vai mal, diria bastante mal mesmo. Senão vejamos, a vida é limitada e toda gente procura "felicidade", as aspas são propositadas porque pretendo referir-me à satisfação dos gostos pessoais, e se continuamos com pessoas infelizes vejo três grandes motivos para tal:

  1. Atigem a sua satisfação pessoal com recurso a este aparente masoquismo e, apesar de se queixarem, no fundo apreciam estas vivência e não pretendem mudar;
  2. Não conseguem mudar a situação por: falta de preparação académica/ profissional; inexistência de posições desejadas; a economia estar na parte baixa da sinudoisal do ciclo; existirem constantemente favoristismos à incompetência promovidos por conhecimentos previlegiados; aproveitamento patronal de situações (semi-)desesperadas para conter custos; por não se estar no momento certo com a(s) pessoa(s) certa(s),...
  3. Conformismo e resignação!!


Muitas situações caem neste ponto 3, refiro-me a quem não está bem e pretende que a semana passe depressa, para se livrar rapidamente... Ilusão aparente, porque dois dias depois a saga recomeça! Portanto, a acção a tomar é uma de três (começa-se a perceber o misticismo e perfeição associado ao três):

  1. Reagir!
  2. Reagir!
  3. Reagir! Isto é, procurar mudar, o que não implica sair da empresa. Pode consistir em mudar de funções, de departamento, de condições, de chefe, por ex.. Sendo para isso necessário perder o medo de falar com as pessoas e apresentar/expor os seus problemas que muitas vezes poderão não ser conhecidos/apercebidos por quem tenha capacidade de poder realizar alguma mudança.. Não funcionando... pois nada como lembrar que há muito peixe no mar, pode apenas demorar algum tempo, mas não tentando nada se consegue! O mundo empresarial está cada vez mais dinâmico e conceito de emprego/empresa para a vida faz cada vez menos sentido e que eventuais regalias/benefícios "únicos" são facilmente cobertos por outros e que demonstra não serem assim tão únicos e como motivos para não mudança.

Transversalmente, é importante relembrar que passamos muito do nosso tempo de vida a trabalhar, mas que idealmente existe um mundo lá fora: família, amigos, actividades lúdicas e desposrtivas, individuais ou em grupo. A vida é genéricamente falando um balanceamento supostamente optimizada de várias peças. Estas peças variam de pessoa para pessoa, o que interessa é que cada um conheça quais são as importante para si e que se lembre que elas precisam de ser conquistadas, mantidas e precisam de evolução!

É importante que não se esteja em agústia e stress permanente o que leva à referida infelicidade, não só própria, mas também de quem rodeia cada um de nós e gosta e se preocupa com o bem-estar.

Queria apenas fazer uma última ressalva para que aqueles com horários diferentes do apresentado: mais curtos, mais longos, que trabalham durante a noite, por turnos ou mesmo ao fim de semana, que se vejam reflectidos nestas ideias que pensem no que estão a fazer.

terça-feira, abril 05, 2005

Brandos costumes

Hoje de manhã fui tomar café ao sítio do costume no Metro do Campo Grande e deparei-me com um cenário irreal, confesso que fechei e abri os olhos por duas vezes para ter a certeza do que via, um grupo de senhoras e filhos (alguns deles bem crescidos) a gastar os poucos trocos acumulados em cafés, bolos, cerveja e cigarros. A quem me refiro:

  • Aquelas senhoras que pululam em todos os cruzamentos mais complicados desta Lisboa caótica. Sabem: aquelas com saias até chão, mas que seguindo a moda das nossas nazarenas as usam sobrepostas.
  • Aquelas que normalmente andam com filhos amarrados à barriga ou às costas, ou presos pela mão que enfiam braços com mãos convexas nas nossas viaturas adentro, pedindo ajuda financeira num dialecto cada vez mais distante das línguas latinas (e nós até somos bons a perceber línguas e variantes destas).
  • Aquelas que sistematicamente apresentam caras de desespero e sujidade acumulada na pele e roupas, que nos leva a sentir pena e com vontade de ajudar, porque afinal até temos sorte de termos nascido onde, como e quando nascemos.
  • Aquelas que por vezes andam com filhos e afins munidos de frascos com líquidos de composição duvidável e esponjas, em que por incauta distracção existirão grãos de areia ou outras impurezas abrasivas, que de forma pró-activa se lançam para as nossas viaturas prestando o magnífico serviço de danificar propriedade alheia! Para as mentes mais incautas, distraídas ou desconhecedoras do hábito, o conhecimento da motivação é posterior à acção. Para os que estão habituados, param uns metros antes se possível, ou alternativamente comicamente esbracejam ou em casos de desespero accionam as escovas de limpeza.
  • Esses nómadas que vieram de países supostamente mais subdesenvolvidos que Portugal em busca de melhores condições, que têm grande potencial físico para exercer funções mais dignas e tendencialmente compensadoras financeiramente.


Modos, educação, postura, preocupação com a alimentação equilibrada e com o futuro profissional dos filhos são variáveis que se conhecidas não são aplicáveis de todos por estas pessoas. A geração destas mães poderá não ter retorno, mas a dos filhos…

Em que medida não podem ter uma educação mínima como forma de sair deste circulo vicioso exponencial. Portugal tem sido um país de brandíssimos costumes - um dos nossos pontos de honra foi o facto de termos sido o primeiro país que a nível global a abolir a pena de morte -, orgulhamo-nos de sermos hospitaleiros e não termos movimentos e comportamentos racistas e muito menos xenófobos. Pelas evoluções recentes conclui-se que as portas de entrada estão completamente escancaradas à entrada de estrangeiros, controlos periódicos sobre o desempenho profissional dos mesmos é entrar no domínio da ficção científica.

Que medidas estão a ser tomadas como forma de acautelar a sobrevivência, acesso à Saúde, acesso a justiça e afins para estas pessoas? Como estado solidário, aberto, católico e humano estas pessoas terão acesso que nós portugueses eventualmente não possamos aceder – sabem como é: coitados…

Não me incomoda minimamente a entrada de emigrantes, mas tem de estar correlacionada com o aumento do produto nacional – com a riqueza produzida internamente. A taxa de crescimento da produção desta riqueza têm de seguir pelo menos a taxa de entrada/crescimento da população activa por esta via, o que pressupõe igual a produtividade média. Idealmente, o produto deveria crescer de forma exponencial à entrada dos mesmos o que significaria que estávamos a ter entrada de cérebros superiores!

segunda-feira, abril 04, 2005

O Papa e os Media

Existe qualquer coisa no meio de toda esta história que não faz sentido!

Toda a gente esperava que o Papa morresse; para alguns ele deveria ter resignado ao cargo uma vez que personificava a crescente fragilidde da Igreja Católica; depois tínhamos os canais de televisão que queriam transmitir a morte em directo...Mas toda a gente chora a sua morte como algo inesperado e cruelmente cruel e inesperado!! Mas não era o que todos esperavam? Não é aqui que se aplica o típico comentário de que é melhor para ele, uma vez que não sofre mais? Não tem assim a Igreja a hipótese de injectar novo sangue? Qual a surpresa? Está-se perante ironia ou falsidade colectiva?

Como ser humano que sou é claro que sinto a perda de um ser humano, especialmente tratando-se de um homem ímpar para o seu tempo! Mas também sinto as 300000 mortes provocadas - essas sim, inesperadas -, a 26 de Dezembro último! Sendo uma das 3 ou 4 pessoas mais conhecidas em todo o Mundo deve-se chorar mais por ele?... Não vi choros desenfreados de pessoas que nada tinham a ver com aqueles outros. Seria por não estarem lá as televisões a filmá-las, seria por não passarem de números e pessoas sem impacto de dimensão mundial? Será por o Papa estar mais perto do nível de santidade que qualquer um dos outros? Apenas, sei que aos olhos de Deus somos todos iguais!

Definitivamente João Paulo II foi o Papa mais marcante de todo o sempre, por todos os motivos que têm sido apresentados e consolidados ao longo dos últimos 26 anos! Quanto a isso não se pode retirar o mérito: foi um Papa que lutou para a Paz entre os Homens e as religiões. Pessoa pacificadora e conciliadora por natureza!

Fico chocado com os media, apesar de últimamente termos tido exemplos que me fazem começar a desacreditar numa cultura ocidental onde predomine ética, valores e moral. Normalmente quando se transmite imagens passíveis de ferir ou deixar as pessoas mais sensíveis pouco confortáveis é norma alertar-se para o facto, quer com recurso a uma mensagem escrita, oral ou mesmo com o famoso círculo vermelho. No entanto, como se trata do Papa, todo esse pudor desaparece e descreve-se com pormenores de curiosidade mórbida o que este vai sofrendo e sentindo. Os detalhes sobre a paragem de funcionamento do seu corpo são espalhados aos quatro ventos. Estas informações saltam-nos à nossa frente - principalmente na inexistência de canais por cabo -, durante o vicío diário das famílias que preferem saber dos outros, a reflectir sobre si próprias, optam por não desligar a televisão.

A constante repetição das mesmas imagens, comentários, opiniões, as 56 perspectivas diferentes dos restos mortais do Papa, assim como, as previsíveis 48 respostas dos turistas que enchem a Praça de São Pedro obtidas por 22 reportéres de cada canal televisivo que inundam as nossas casas são demonstrativas da cultura de Grande Irmão que está cada vez mais vincada na população em geral, que já as devora de forma viciante e descontrolada.

Esta cultura se inata, esteve escondida e foi realçada pelos media com os programas altamente desintelectualizantes dos últimos anos; se não é inata é claramente motivada pelos mesmos media que aproveitando-se do fraco nível sócio-cultural e de abertura ao desenvolvimento pessoal e científico da Humanidade as foi solidificando em detrimento da aposta em consciencializações relevantes para o progresso, desenvolviemnto sustentável e preocupações com o meio ambiente.

Onde estão os limites do suportável? Aquando das ondas tsunami repetiam-se as cenas filmadas amadoramente, mas e quem lá ficou sem nada e ninguém? Isso não interessa a muitos... A cultura americana está a estravasar as fronteiras originais: estamo-nos a tornar em consumidores de tragédias e tristezas? Estas não devem ser esquecidas, pelo contrário, devemos te-las presentes como forma de não repetição de erros, mas não de forma obcecada!

As questões sociais e políticas internas deixaram de fazer sentido? A Saúde, a educação a justiça...

Pois é, determinados comportamentos hipnotizantes dos media são muito convenientes!

Let the games begin...

Após várias tentativas que rapidamente ficaram goradas devido à famosa desculpa do "não tenho tempo", reinicio a minha actividade bloguistica!

Pretendo que este seja um espaço de total liberdade de expressão, evitando pretensiosismos de frases eruditamente elaboradas mas desprovidas de conteúdo, pretendia que se caminhasse para algo motivante e vá congregando o maior número de pessoas que partilhem as mesmas opiniões.

Este primeiro post, como seria de esperar é a antítese do supra-citado..., mas por agora isso não interessa nada!