terça-feira, abril 12, 2005

Posso ficar-lhe a dever um cêntimo?

Quantas vezes já nos fizeram esta pergunta? Pois.. algumas de facto, principalmente se ainda não se é completamente fanático pelos cartões de débito, ou mesmo, quando se prefere continuar a usar dinheiro real para pequenos pagamentos.
A resposta a esta pergunta, à boa moda portuguesa em que somos uns tipos descontraídos, simpáticos e que não perdem oportunidades para demonstrar o sua importância na sociedade - esta questão dos problemas de afirmação também precisará de ser detalhada -, responde-se até com algum desdém e retoques de "...ai nem me fale disso...", aliado a um esgar de sorriso paternalista, que sim, sim, pode ficar a dever-me um cêntimo.

Depois, voltamos costas e como que num passe de mágica, as feições transmorfam-se e murmura-se entre dentes que é sempre a mesma coisa, que ficam sempre a dever 1 cêntimo. Outros, ainda chegam a casa e vão fazer posts em blogs acerca disso. Enfim, os modos de expressão são variados e por norma são tanto mais agudizados, quanto mais susceptível se estiver no momento.

Queria apenas relembrar que estas situações advém de uma faca de dois gumes. Por um lado tem-se os famosos preços psicológicos que nos fazem crer que algo é 1, 10 ou mesmo 100 euros mais baratos porque o preço é x,9 ; x9,99 ou x99,99 respectivamente, para que automaticamente se processe de forma errada uma "significativa" redução do preço, sendo por vezes esse o click que faltava para se passar a referida peça para o carrinho. Por outro lado, quando se chega à caixa, a probabilidade da conta terminar em 9 é elevada - sim, eu sei que se comprar 5 destes produtos a conta acaba em 5 e não em 9, and so on... -, e por qualquer motivo ainda não perfeitamente identificado, alguém que não nós já levou as últimas moedas de 1 cêntimo e surge a referida questão.

Na prática, compramos por vezes o que não queremos devido a um preço psicológico e do outro lado existe um recebimento não facturado... Certo, isto são peanuts sem qualquer relevância, mas está-se a pactuar com este procedimento se não se alterar a reacção.
Avistam-se várias abordagens:
  1. "Sim! Importo-me!" e esperar pela reacção;
  2. "Sim! Importo-me! Dê-me 2 cêntimos de volta e fica você a dever-me 1 cêntimo?"
  3. Andarmos com umas quantas moedas de 1 cêntimo que temos lá em casa e usá-las para dar troco de 2 cêntimos. Isto se o ponto de cima não funcionar.
  4. Começar a pagar sistematicamente com meios de pagamento que não pressupõem troco!

2 Comentários:

Às 12:31 AM , Blogger Tiago Mendes disse...

Reparei que na Finlândia (embora não tivesse visto isso explícito em lado nenhum) não existem moedas de 1 e 2 cêntimos de euro. É case para dizer "riqueza a quanto obrigas". O que acontece é que a conta final é arredondada para o múltiplo de 5 mais próximo. Uma vez ganha o cliente, outra ganha a loja. Mas no "longo prazo" - ou "em média" - todos ficarão "quites". Eficiência portanto. Já no Reino Unido as moedas de 2 pence são maiores que as moedas de 2 euros! Um pesadelo.

 
Às 2:28 PM , Blogger Nuno disse...

Quando um pobre nos pede uma moeda e nós a recusamos porque achamos que estamos a criar um desincentivo ao pobre ser na sua busca de trabalho. Claro que se lhe tentarmos explicar isto ele responde: mas eu apenas pedi uma moeda, se quer dar dê, se não quer não dê.
O facto de ficarmos a dever ou a haver um cêntimo também é um bocado indiferente para a senhora (ou senhor) da caixa do supermercado (ou loja)... se quer o cêntimo fique lá com ele, desde que o patrão não saiba!

 

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