terça-feira, abril 05, 2005

Brandos costumes

Hoje de manhã fui tomar café ao sítio do costume no Metro do Campo Grande e deparei-me com um cenário irreal, confesso que fechei e abri os olhos por duas vezes para ter a certeza do que via, um grupo de senhoras e filhos (alguns deles bem crescidos) a gastar os poucos trocos acumulados em cafés, bolos, cerveja e cigarros. A quem me refiro:

  • Aquelas senhoras que pululam em todos os cruzamentos mais complicados desta Lisboa caótica. Sabem: aquelas com saias até chão, mas que seguindo a moda das nossas nazarenas as usam sobrepostas.
  • Aquelas que normalmente andam com filhos amarrados à barriga ou às costas, ou presos pela mão que enfiam braços com mãos convexas nas nossas viaturas adentro, pedindo ajuda financeira num dialecto cada vez mais distante das línguas latinas (e nós até somos bons a perceber línguas e variantes destas).
  • Aquelas que sistematicamente apresentam caras de desespero e sujidade acumulada na pele e roupas, que nos leva a sentir pena e com vontade de ajudar, porque afinal até temos sorte de termos nascido onde, como e quando nascemos.
  • Aquelas que por vezes andam com filhos e afins munidos de frascos com líquidos de composição duvidável e esponjas, em que por incauta distracção existirão grãos de areia ou outras impurezas abrasivas, que de forma pró-activa se lançam para as nossas viaturas prestando o magnífico serviço de danificar propriedade alheia! Para as mentes mais incautas, distraídas ou desconhecedoras do hábito, o conhecimento da motivação é posterior à acção. Para os que estão habituados, param uns metros antes se possível, ou alternativamente comicamente esbracejam ou em casos de desespero accionam as escovas de limpeza.
  • Esses nómadas que vieram de países supostamente mais subdesenvolvidos que Portugal em busca de melhores condições, que têm grande potencial físico para exercer funções mais dignas e tendencialmente compensadoras financeiramente.


Modos, educação, postura, preocupação com a alimentação equilibrada e com o futuro profissional dos filhos são variáveis que se conhecidas não são aplicáveis de todos por estas pessoas. A geração destas mães poderá não ter retorno, mas a dos filhos…

Em que medida não podem ter uma educação mínima como forma de sair deste circulo vicioso exponencial. Portugal tem sido um país de brandíssimos costumes - um dos nossos pontos de honra foi o facto de termos sido o primeiro país que a nível global a abolir a pena de morte -, orgulhamo-nos de sermos hospitaleiros e não termos movimentos e comportamentos racistas e muito menos xenófobos. Pelas evoluções recentes conclui-se que as portas de entrada estão completamente escancaradas à entrada de estrangeiros, controlos periódicos sobre o desempenho profissional dos mesmos é entrar no domínio da ficção científica.

Que medidas estão a ser tomadas como forma de acautelar a sobrevivência, acesso à Saúde, acesso a justiça e afins para estas pessoas? Como estado solidário, aberto, católico e humano estas pessoas terão acesso que nós portugueses eventualmente não possamos aceder – sabem como é: coitados…

Não me incomoda minimamente a entrada de emigrantes, mas tem de estar correlacionada com o aumento do produto nacional – com a riqueza produzida internamente. A taxa de crescimento da produção desta riqueza têm de seguir pelo menos a taxa de entrada/crescimento da população activa por esta via, o que pressupõe igual a produtividade média. Idealmente, o produto deveria crescer de forma exponencial à entrada dos mesmos o que significaria que estávamos a ter entrada de cérebros superiores!

1 Comentários:

Às 12:58 AM , Blogger Zaira Eliette Espinosa disse...

De nuevo, he leído tu texto y me parece leerlo en mi lengua. Con sus excepciones, claro. El tema de la immigración es uno de los más complicados. Ve lo que está sucediendo aquí, en Arizona (y en otras partes del país)...con la gente que piensa que nosotros, los immigrantes mexicanos les afectamos enormemente en todos los aspectos sociales. Portugal experimenta cambios drásticos en su afluencia de immigrantes. Es posible que esos problemas empeoren o que se superen. Sólo espero haya respeto y solidaridad, cuando se trate de las vicisitudes de toda la gente. Y no pase como aquí en los Estados Unidos. A mi encantaría vivir en Portugal!
Saludos...

 

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