O Papa e os Media
Existe qualquer coisa no meio de toda esta história que não faz sentido!
Toda a gente esperava que o Papa morresse; para alguns ele deveria ter resignado ao cargo uma vez que personificava a crescente fragilidde da Igreja Católica; depois tínhamos os canais de televisão que queriam transmitir a morte em directo...Mas toda a gente chora a sua morte como algo inesperado e cruelmente cruel e inesperado!! Mas não era o que todos esperavam? Não é aqui que se aplica o típico comentário de que é melhor para ele, uma vez que não sofre mais? Não tem assim a Igreja a hipótese de injectar novo sangue? Qual a surpresa? Está-se perante ironia ou falsidade colectiva?
Como ser humano que sou é claro que sinto a perda de um ser humano, especialmente tratando-se de um homem ímpar para o seu tempo! Mas também sinto as 300000 mortes provocadas - essas sim, inesperadas -, a 26 de Dezembro último! Sendo uma das 3 ou 4 pessoas mais conhecidas em todo o Mundo deve-se chorar mais por ele?... Não vi choros desenfreados de pessoas que nada tinham a ver com aqueles outros. Seria por não estarem lá as televisões a filmá-las, seria por não passarem de números e pessoas sem impacto de dimensão mundial? Será por o Papa estar mais perto do nível de santidade que qualquer um dos outros? Apenas, sei que aos olhos de Deus somos todos iguais!
Definitivamente João Paulo II foi o Papa mais marcante de todo o sempre, por todos os motivos que têm sido apresentados e consolidados ao longo dos últimos 26 anos! Quanto a isso não se pode retirar o mérito: foi um Papa que lutou para a Paz entre os Homens e as religiões. Pessoa pacificadora e conciliadora por natureza!
Fico chocado com os media, apesar de últimamente termos tido exemplos que me fazem começar a desacreditar numa cultura ocidental onde predomine ética, valores e moral. Normalmente quando se transmite imagens passíveis de ferir ou deixar as pessoas mais sensíveis pouco confortáveis é norma alertar-se para o facto, quer com recurso a uma mensagem escrita, oral ou mesmo com o famoso círculo vermelho. No entanto, como se trata do Papa, todo esse pudor desaparece e descreve-se com pormenores de curiosidade mórbida o que este vai sofrendo e sentindo. Os detalhes sobre a paragem de funcionamento do seu corpo são espalhados aos quatro ventos. Estas informações saltam-nos à nossa frente - principalmente na inexistência de canais por cabo -, durante o vicío diário das famílias que preferem saber dos outros, a reflectir sobre si próprias, optam por não desligar a televisão.
A constante repetição das mesmas imagens, comentários, opiniões, as 56 perspectivas diferentes dos restos mortais do Papa, assim como, as previsíveis 48 respostas dos turistas que enchem a Praça de São Pedro obtidas por 22 reportéres de cada canal televisivo que inundam as nossas casas são demonstrativas da cultura de Grande Irmão que está cada vez mais vincada na população em geral, que já as devora de forma viciante e descontrolada.
Esta cultura se inata, esteve escondida e foi realçada pelos media com os programas altamente desintelectualizantes dos últimos anos; se não é inata é claramente motivada pelos mesmos media que aproveitando-se do fraco nível sócio-cultural e de abertura ao desenvolvimento pessoal e científico da Humanidade as foi solidificando em detrimento da aposta em consciencializações relevantes para o progresso, desenvolviemnto sustentável e preocupações com o meio ambiente.
Onde estão os limites do suportável? Aquando das ondas tsunami repetiam-se as cenas filmadas amadoramente, mas e quem lá ficou sem nada e ninguém? Isso não interessa a muitos... A cultura americana está a estravasar as fronteiras originais: estamo-nos a tornar em consumidores de tragédias e tristezas? Estas não devem ser esquecidas, pelo contrário, devemos te-las presentes como forma de não repetição de erros, mas não de forma obcecada!
As questões sociais e políticas internas deixaram de fazer sentido? A Saúde, a educação a justiça...
Pois é, determinados comportamentos hipnotizantes dos media são muito convenientes!

4 Comentários:
Hola,
I don't speak Portuguese, my first language is Spanish. I read all your words in relation to the recent events (POPE), I understood it, somehow amazingly, that I wanted to share a comment.
It is true that Media is personalizing this "issue" so much that it becomes a consumer's need, and the event in fact looses its meaning. Now they are spreading the way to mourn the death of the Pope: no suffering, but with joy and tranquility...since his image was a peaceful one. I really like your ideas. Do you prefer I write in Spanish? I would love it!
Saludos Sinceros.
Hi,
Thanks for your comments. Feel free to express yourself in your prefered language. Eventually, I'll get my spanish developed!
mira, hablamos (escrivimos) spagnol (portugnol?) que es mejor. jo stoy de acuerdo com Paulo, creo que hay una alucination tremenda en redor de la muerte de una "personagen", mucho más que solamente el hombre que era Giovanni Paolo II. Abraço.
O Paulo tem alguma razão mas....
acho que as pessoas principalmente os Italianos estão realmente a sofrer, o Papa não é só o papa para eles, o Papa é uma pessoa especial e acredito que tenham sentido um certo carinho por ele.
Acho que não é hipócrisia.
Também não concordo com a posição dos media, parece-me que estão a explorar a imagem do papa.
Quanto aos circulos vermelhos... no telejornal não costuma haver :P
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